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Manejo de patógenos de solo por meio da Indução de Resistência

8 de dezembro de 2017 - Mario Lúcio Cunha - Produtos

Manejo de patógenos de solo por meio da Indução de Resistência

*O texto abaixo foi fortemente referenciado na tese de doutorado de Ronaldo José Durigan Dalio, com o título de “Deciphering mechanisms of pathogenicity and resistance induction in the interaction between Phytophthora spp. And European beech (Fagus sylvatica L.)”, defendida na Universidade Técnica de Munique em 2013.

 

O manejo de patógenos de solo se destaca entre os grandes desafios enfrentados pela agricultura atual. A possibilidade de sobrevivência destes microorganismos como saprófitas no solo (se alimentando da matéria orgânica em decomposição na entressafra), a dificuldade de se atingir o alvo com a maioria dos métodos padrão de aplicação de produtos fitossanitários, somados à ausência de sistemicidade basipetal (de cima para baixo) dos fitossanitários registrados, tornam o controle químico dessas doenças uma prática de baixa eficiência.

As existências dessas dificuldades fomentaram o desenvolvimento da tese de doutorado de Dalio, R.J.D. na Universidade Técnica de Munique em 2013. Seu trabalho visou estudar o controle do fungo de solo Phytophtora plurivora (podridão-do-pé) em plantas de Faia-Europeia (Fagus sylvatica), uma espécie importante no setor moveleiro, energético, na produção de papel e como planta ornamental na Europa.

Para o controle da doença, Dalio, R.J.D. (2013) estudou a ação do Fosfito de Potássio (principal componente do produto CURATIVE), que já se sabia ter forte ação contra fungos da mesma Classe de doenças (Oomicetos) de Phytophtora plurivora (podridão-do-pé), e que possui alta sistemicidade basipetal. Como curiosidade, destacam-se também como outras importantes patologias vegetais desta Classe as doenças: requeima da batateira e tomateiro (Phytophthora infestans), míldio da videira (Plasmopara viticola), míldio da soja (Peronospora manshurica), Pythium causador de tombamentos em várias culturas (Pythium sp.), podridões  radiculares de plantas cítricas(Phytophthora Spp.), podridão-do-pé do abacateiro (Phytophthora cinnamomi), etc.

Em seus estudos, Dalio, R.J.D. (2013) demonstrou que o Fosfito de Potássio tem ação direta sobre a doença Phytophtora plurivora (podridão-do-pé), iniciando seu efeito já com 5µg/L e inibindo 50% do crescimento micelial do fungo à 34µg/L (Figura 1).



Figura 1 – Efeito de fosfito no crescimento in vitro dos zoósporos de Phytophtora plurivora. Adaptado de Dalio, R.J.D. (2013)

     

Esse dado foi complementado com a quantificação realizada pelo autor quanto à sistemicidade do produto, onde o mesmo já se encontrava em uma concentração de 350 µg/L nas raízes, com apenas 2 dias após a aplicação de uma solução com 0,5% de H3PO3 em mudas de Faia-Europeia (Figura 2). Isso comprovou a elevadíssima sistemicidade do Fosfito de Potássio, onde com baixa dosagem de aplicação, já se encontrava em uma concentração 10 vezes maior do que aquela necessária para a inibição de 50% do crescimento micelial do patógeno.


     

     

Figura 2 – Concentração de fosfito na solução dos tecidos radiculares de Fagus sylvatica, em função do tempo após a inoculação. As barras azuis (Phi-Plu) representam os tratamentes onde ocorreu a aplicação de fosfito e inoculação com Phytophtora plurivora, as barras verdes (Phi) representam os tratamentos onde somente foi aplicado o fosfito. Adaptado de Dalio, R.J.D. (2013)

 

O resultado dessa alta concentração de Fosfito de Potássio nas raízes promoveu efeito direto sobre a doença, onde por medições da presença do DNA do fungo nas raízes das plantas, o autor demonstrou a quase ausência do patógeno por 10 dias, enquanto no controle sem aplicação do produto observou-se um aumento crescente da presença do fungo (Figura 3).

     


Figura 3 – Concentração do DNA de Phytophtora plurivora na solução dos tecidos radiculares de Fagus sylvatica, em função do tempo após a inoculação. As barras azuis (Phi-Plu) representam os tratamentes onde ocorreu a aplicação de fosfito e inoculação com Phytophtora plurivora, as barras vermelhas (Plu) representam os tratamentos onde somente foi inoculado o patógeno Phytophtora plurivora. Adaptado de Dalio, R.J.D. (2013)

 

 

Por fim, Dalio, R.J.D. (2013) comprovou também o efeito indutor de resistência do fosfito de potássio e a importância desse processo no controle da doença. Sob aplicação do produto e inoculação das plantas com a doença, 6 genes relacionados à defesa das plantas foram ativados, sendo eles: PR1, PR2, PRP, WRKY (sinalizador da rota do ácido salicílico), PR3 e ACO (sinalizador da rota do Ácido Jasmônico/Etileno). Com isso, abrem-se várias portas para a possibilidade de controle de diversas outras doenças (inclusive aquelas não pertencentes à Classe dos Oomicetos) através da utilização do Fosfito de Potássio como indutor de resistência.

Considerando o contexto atual, onde discute-se cada vez mais o grande problema da seleção dos patógenos resistentes à maioria dos princípios ativos existentes, a utilização da indução de resistência como método alternativo de controle torna-se altamente promissora, visando aprimorar o controle das doenças e proteger as moléculas de fungicidas existentes.

Assim sendo, o produto Curative destaca-se como um indutor de resistência de alto nível, pois além de apresentar o Fosfito de Potássio estudado por Dalio R.J.D. (2013), possui em sua formulação cobre bioativo (Cu), importante na síntese de lignina e produção de fitoalexinas, Ni bioativo, que reduz a síntese de etileno (mantendo maior área foliar) e auxilia na produção de fitoalexinas e Fósforo (P), Potássio (K), Enxofre (S), Magnésio (Mg) nutricionais, visando garantir a condução de todo o processo de indução de resistência. 

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